Para lá do futuro prevísivel

I do not think white America is committed to granting equality to American Negro. So committed are only a minority of white Americans, mostly educated and affluent, few of whom have had any prolonged social contact with Negroes. This is a passionately racist country; it will continue to be so in the foreseeable future.

[Susan Sontag, What's happening in America/Styles of the Radical Will, 1966]

It comes with the Job ou Faz parte do serviço

Antes de tomar posse, o Mayor Carcetti foi avisado: com o cargo vem a obrigação de engolir um balde diário de merda. Nalguns dias a dose é mais carregada.
Em Portugal também não podia deixar de ser assim. MFL por exemplo, aparentemente, já engoliu vários: Santana em Lisboa, Preto nas listas nacionais e, ontem, Jardim na Madeira. A surpreendente vantagem de MFL neste exercício é que parece fazê-lo com uma enorme convicção, como se a necessidade daquelas acções desagradáveis não resultasse de um cálculo de desvantagens contra vantagens ou desvantagens maiores, mas fosse antes um imperativo moral inquestionável. É certo que estes exemplos não são moralmente iguais entre si, mas fico em todos com a mesma impressão.

E no entanto

Louçã e Jerónimo querem regressar a 75 e, explorando a crise mais os seus ressentimentos, retomar a onda de nacionalizações que dizem ter salvo à época a economia portuguesa. Indemnizações, dizem eles, só à "posteriori", como se fosse "um assunto a ver". Infelizmente para eles, a História não se repete. Em 75, Portugal podia ser uma bagunça jurídica. Hoje, o direito de propriedade está na constituição portuguesa, na convenção europeia dos direitos do homem, na carta dos direitos fundamentais da Europa, nos pactos internacionais de direitos civis, políticos e económicos e por aí fora. Louçã e Jerónimo, se bem que vivam em Marte, não podem estar contra tudo isto, pois não? 

Ir a jogo

Tanta gente inquieta com a provável recondução de Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia. Que ele não é homem para o cargo nem para os desafios do momento, dizem. Mas ainda não vi a esquerda europeia fazer aquilo que lhe compete: apresentar uma alternativa e ir a jogo. Seria tudo bem mais transparente; até poderiam fazer um debate entre os dois ou três candidatos, transmitido pelas televisões europeias. A Europa precisa disso mesmo: confronto. Não queremos todos o mesmo, claro está. Chama-se: política. 

Bom augúrio

Este levantamento desesperado e desastrado da fasquia já deu sorte ao PSD nas europeias. Talvez seja mesmo a pata de coelho que lhes faltava agora para as legislativas.

On generating suction

To get suction, you have to suck. É assim que lá se chega quase sempre. Outras vezes consegue-se suction without sucking. Acontece, mas depende de uma conjugação improvável de factores.

So, you got suction

A frase fatal que temos repetido entre nós nos últimos meses: se conseguiste suction with Valcheck, podes ficar descansado. 

wanna talk?

If you want to talk, you always have the guys at the diner. You don't need a girl if you wanna talk (Diner, Barry Levinson -1982).

Another kind of mutual friend (we hope)

Destra e sinistra

Serão as categorias esquerda e direita aplicáveis ao melodrama? Julgo que sim. Rachel Getting Married (Jonathan Demme, 2009) é um grande melodrama de esquerda. E Two Lovers (James Gray, 2008) um melhor melodrama de direita. No primeiro filme, a par do óbvio ambiente liberal, há uma série de pequenas revoluções de argumento. Saltos lógicos mas bruscos que apanham desprevenido o espectador médio deste género de fitas (o flirt que se anuncia longo entre Anne Hathaway e Mather Zickel é abreviado por uma queca dada na garagem poucos minutos depois de se conhecerem). Já em Two Lovers, predomina a ideia de resignação. Não da resignação como impotência ou passividade, mas da resignação com a realidade. A realidade é quem mais ordena. E como nem sempre pula e avança, no fim, é com ela que nos temos de deitar.

Our Mutual Friend

Em conversas reciprocas, qualquer um de nós pode falar do terceiro como um amigo mútuo. O nosso amigo mútuo. Parece-me um óptimo começo para um blog a três.

Porquê Suction with Valchek?

Desde logo, por ser uma expressão que fica bem na boca da humanidade, em geral, e na de José Eduardo Martins em particular.