Nobel da literatura 2009

"Ela trazia um casaco de Inverno de pêlo de camelo e meias altas de lã e a cobrir-lhe o cabelo ruivo escuro um barrete justo de lã branca com uma fofa bola de malha vermelha no topo. Vinda directamente da rua, com as mãos do rosto vermelhas e o nariz a pingar ligeiramente, parecia a última rapariga do mundo capaz de fazer um broche a alguém".

Philip Roth, Indignação, trad. de Francisco Agarez

Vejo agora que o Bruno postou o mesmo excerto. Friends, romans, countrymen. A propósito, também quero dizer que, opinião pessoal, este é o melhor romance do Philip Roth desde o Human Stain

Suction with Eduardo

E eu gostava de subscrever, repetir e imitar o que o Eduardo escreveu aqui a propósito da carta que o Andrew Sullivan escreveu na última edição da Atlantic. E não consta que o Eduardo seja membro honorário da direita gay.

Preemptive peace

A única explicação para este Nobel dado ao Obama, é tratar-se de uma acção de paz preventiva promovida pela bem intencionada academia (vamos cá dar-lhe o prémio e a fama antes que os gajos se lembrem de invadir mais um país). Há porém um pormenor de que os noruegueses se esqueceram: é que Obama está em guerra. E não consta que lhe vá pôr termo antes da cerimónia.

Hey Mr. Sullivan man, sing a song for me

A seguir ao 11/9, Bush institui uma espécie de estado de emergência (Patriotic Act) em que várias liberdades e muitos direitos foram suspensos ou limitados em nome da war on terror. Até aqui, compreende-se. Sujeitos às mesmas circunstâncias, com um mínimo de bom senso e algum realismo, muitos teriam feito igual. O problema é que este estado de excepção foi sendo prolongado por demasiado tempo até se tornar regra. E, pior que isso – é aqui que a linha de fronteira foi violada – coisas que mesmo sob um estado de excepção devem ser absolutamente excepcionais (ou inexistentes), passaram também a ser regra.

Vale a pena ler a longa carta que Andrew Sullivan dirige ao presidente Bush (publicada na última Atlantic), onde lhe pede que reconheça o maior erro da sua presidência: a autorização, mais ou menos informada, provavelmente com as melhores intenções, do uso sistemático da tortura como forma de obtenção de informações. Que reconheça, que assuma total responsabilidade e que se desculpe perante os americanos.

É um texto exemplar do ponto de vista argumentativo. Mas é sobretudo um texto justo de um homem bom. E, nessa medida, muito mais duro do que qualquer hipotética sentença de um tribunal penal internacional.

O que há num artigo definido ?

A bíblica diferença entre «fazer cidade» e «fazer a cidade».

E ainda falta uma semana

Só há uma coisa mais irritante do que a expressão "fazer cidade": é a expressão "fazer cidade" saída da boca de Helena Roseta. Não haverá por aí outro município qualquer a precisar de ser feito que nos livre desta praga.

Carl Schmitt em Belém?

No seu ensaio O Conceito do Político (Der Begriff des Politischen, 1932), Carl Schmitt defendeu a tese de que a política assenta no antagonismo permanente entre amigo e inimigo. O "amigo" é aquele que está disposto a combater por nós e pelos nossos valores; o "inimigo", aquele contra quem combatemos em conjunto e contra o qual nos definimos em conjunto; e a política algo que não existe sem estas duas realidades.


(publicado no i)

Revista de Imprensa

De manhã, os jornais informam sobre as aventuras dos notáveis do PS e dos Barões do PSD. Notável diferença.

Fica a saber-se muito sobre o grau de tranquilidade amorosa com que vive uma pessoa

... pela intensidade com que actua no Facebook e companhia.

Note to self

Nunca publicar opinião sobre regras comportamentais, na amizade ou de etiqueta, por exemplo. Essas coisas que se escrevem voltam sempre para nos morder.

Sequência Clássica

Semen retentum venenum est
Triste est omne animal post coitum, praeter mulierem gallumque


Estas coincidências que a vida tem

Até há um mês atrás Sócrates assumia ter dois inimigos na comunicação social: a TVI, com Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, e o Público, com José Manuel Fernandes. Posso estar a precipitar-me, mas parece que o terreno está agora aplainado. Acabou-se a maledicência, os ataques pessoais, as campanhas negras. Agora será só informação optimista. Vai ser porreiro.

Acto falhado ou situacionismo ?















Pode ter sido involuntário. Um erro honesto. Se não foi, esta legenda da RTPN, desenterrando a mitológica antropocapitalistofagia do PCP, é um intolerável caso de situacionismo. Mais grave só os sucessivos convites da SICN a Luís Delgado para representar a "direita" em debates.
Agora é preciso confiar no discernimento do eleitorado. Apesar de tudo, acho que a desinformação da RTPN não passará. As pessoas sabem que os comunistas não devoram ninguém desde o 25 de Novembro. Mais, é do conhecimento geral que, mesmo nos tempos gloriosos do PREC, nunca marchou ninguém depois do meio-dia e não se tocava em adultos. E depois, pensemos nisto, se os comunistas regressassem ao canibalismo, não seria mais verosímil que começassem pelos grandes empresários ?
















Conservador, retrógado (ou melhor, retro), orgulhosamente só. São vários os elogios que lhe podemos fazer.