"já estou cansada deste género de blogar"
Um eu apto para ser amado

Teoria da imparcialidade
Este post é para mim uma novidade. Um comentador decide declarar os seus interesses depois e só depois de ter atingido aquilo que queria: a vitória do seu candidato (Pedro Passos Coelho). Há dois anos que o comentador anda metido em tudo o que é cenáculo na defesa de Passos Coelho e na crítica aos membros da antiga direcção de Ferreira Leite. Mas não se fica por aqui. Agora que os seus interesses estão na liderança, o autor informa-nos grotescamente que deixou de ter interesses, dando por “terminado" o seu apoio a Passos Coelho. Enganou-nos uma vez e ainda nos quer enganar uma segunda.
Razão tem José Barros na caixa de comentários do mesmo post. Por falar nisso, não há nenhum blog que ponha o José Barros a escrever com regularidade, agora o que o desabrantizante terminou.
Fazia sentido escrever este post quando se iniciou, há cerca de um ano, uma campanha anti-Ferreira Leite em benefício do, na altura, pretendente ao trono. Aí sim, ficava bem que se dissesse que se estava em campanha para a eleição de Passos Coelho, nessa medida fazendo operar uma declaração de interesses que informaria os leitores dos objectivos do comentário político produzido pelo autor do post. Por outras palavras, os interesses declaram-se à partida, não à chegada a um objectivo político. Nessa medida, este post não passa de uma tentativa frustrada de passar um atestado de estupidez aos leitores. Resta que estes, como se vê pela caixa de comentários do Blasfémias, já há muito passaram a certidão de óbito ao autor do post enquanto analista político. O CAA poderá ser muitas coisas, analista político é que não é.
As eleições do PSD interessam ao CDS?
A corte
Alguém acaba de assumir novo cargo, é uma inundação de louvores em seu favor que sobe dos paços e capelas, ganha a escadaria, as salas, a galeria, todo o prédio: têm-se os ouvidos cheios; não se agüenta mais. Não há duas vozes diferentes sobre essa personagem; a inveja, a rivalidade, falam como a adulação: todos se deixam levar pela torrente que arrasta, que os força a dizer de um homem o que eles pensam ou o que não pensam, como louvar muitas vezes um sujeito que nem conhecem. O homem de inteligência, de mérito, ou de valor, se torna, num instante, um gênio de primeira ordem, um herói, um semideus. É tão prodigiosamente favorecido, em todas as pinturas que fazem dele, que parece disforme perto de seus retratos: é impossível para ele chegar jamais até onde a baixeza e a lisonja acabam de levá-lo; ele se envergonha da própria reputação. Mal começa a vacilar no cargo em que o tinham posto, todo mundo muda facilmente de opinião: se é completamente destituído, as geringonças que o tinham guindado tão alto, pelo aplauso e os elogios, ainda estão armadas para fazê-lo cair no último desprezo; quero dizer que não há quem o desdenhe mais, quem o censure mais amargamente, e quem diga mais mal dele, do que aqueles que estavam como que tomados pelo furor de dizer bem dele.
O rei da comédia
É um Eixo, de facto
Sempre presumi que PML não fazia qualquer segredo do seu compromisso activo com PPC.
Mas ontem, para minha grande surpresa, ouvi PML renegar expressamente Passos no Eixo do Mal.
Não me surpreendeu o despudor de PML. Esse ângulo já ficou destapado inúmeras vezes na sua relação com José Sócrates e com o socratismo (o político e o mediático). Surpreendente foi PML estar convencido que engana alguém. O que impressiona é a ingenuidade e incapacidade de análise deste auto-proclamado analista.
O PML acha mesmo que consegue afirmar que não é “passista” (sic) numa mesa sem ninguém se rir ? Como é evidente, isso não aconteceu ontem.
Não está aqui em causa uma exigência de pluralismo. Seria absurdo pretender que nos inúmeros pequenos e grandes debates políticos que vão nascendo e morrendo em Portugal estivessem sempre representadas todas as tendências. PML não é jornalista. É um comentador e tem o direito de escolher lados. Tem o direito de comentar as acções de um candidato em cuja causa milita e de quem é conselheiro próximo. Mas tem a obrigação de assumir essa militância e de a revelar.
Não lhe é pedido muito, apenas o cumprimento da mais elementar das regras: transparência com o público. Até porque não mudaria nada. PML não passaria a ser visto como comentador de facção, porque esse rótulo já o acompanha.
Currículos
Vejo no entanto que Gorjão, professor ao que sei de relações internacionais, está mal-informado sobre a carreira académica em direito. Se ele não se importar, alguns esclarecimentos. Primeiro: uma parte significativa dos académicos em direito nas universidades portuguesas conclui o doutoramento depois dos 35 anos. É uma tradição que está a mudar, que não existe lá fora, mas que ainda se mantém por cá. Aos 35 ou 36 anos, Paulo Rangel não tinha terminado o doutoramento tal como muitos outros da idade dele não o fizeram ou só o fizeram depois. E deixo outra informação: aos 35 ou 36 anos, Paulo Rangel já tinha escrito um livro importante (Repensar o poder judicial), além de vários estudos de direito constitucional de uma enorme qualidade, reconhecida aliás pelos seus pares.
A propósito de currículos, sugiro a leitura deste autor (via FNV): "Rangel é um jurista de primeira água, para mim o melhor da sua (minha) geração. Possui uma cultura vastíssima e é um orador nato. Não é por acaso, e muito menos por favor, que vai liderar a bancada do PSD no seu primeiro mandato como deputado. Quando os adeptos de Ferreira Leite falam em ‘credibilidade’, olho para os nomes que a acompanham e merecedor desse epíteto só vejo Rangel." Não consta que o currículo de qualidades jurídicas, culturais e coloquiais de Rangel tenha mudado. Mudaram algumas opiniões, é verdade. O Carlos Abreu Amorim, por exemplo, deu a volta ao sistema solar.
Estava lá mas escapou-me
A surpresa não foram as intenções "bloquistas" (de 'Bloco Central') de um dos candidatos a líder do PSD, porque nele em particular têm sido notórias, mas a sua declarada confissão em pleno período eleitoral interno. Achei que esse coelho só iria sair da cartola de... Coelho depois de estar bem instalado. Nunca acreditei que o pacto germano-soviético fosse confessado agora. Facto é que vi depois online o debate entre PPC e Rangel e lá estava a revelação.
"Paulo, eu estava lá", diz Passos, com o seu ar de galã de telenovela mexicana. E é verdade: estava. Está lá há 3 décadas, mas claramente tem percebido pouco. Escapou-lhe o papel que o PSD desempenhou sozinho em dois momentos históricos mesmo à frente do seu nariz de cera e pullover de gola em bico.
Não percebeu que, como muito bem diz Rui Ramos na mesma crónica: «O consenso que houver para aplicar um PEC não chegará para o resto, que hoje é tudo. Só uma maioria reformista poderá fazer reformas: haverá socialistas que, individualmente, poderão entrar nessa maioria; mas não o PS. Vai ser preciso ter pena de quem no PSD, querendo mudar, não perceber isso».



José Barros disse